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Intolerância e alergias alimentares: como identificar?

Intolerância e alergias alimentares: como identificar?

Muitas pessoas confundem a diferença entre intolerância e alergias alimentares. Isso porque, em ambas as situações ocorrem reações adversas, provocadas pelo consumo de certos alimentos. No entanto, tratam-se de condições diferentes, que exigem abordagens distintas.

Neste artigo, conheça as especificidades de cada uma e saiba como são feitos os diagnósticos. Boa leitura!

Qual é a diferença entre intolerância e alergias alimentares?

A principal diferença entre intolerância e alergias alimentares é o tipo de resposta do organismo após o contato com o alimento. Ou seja, a velocidade com que os sintomas aparecem.

Outro fator de distinção é a frequência. A intolerância é bem mais comum do que a alergia alimentar, inclusive, afetando pessoas sem antecedentes ou histórico familiar.

As faixas etárias predominantemente acometidas também se diferenciam. A intolerância, na maioria das vezes, aparece em adultos. Já a alergia alimentar (muitas vezes, um problema hereditário) é mais frequente na infância, manifestando-se em crianças pequenas.

Intolerância alimentar

Na intolerância alimentar, o alimento não é digerido como deveria. Por isso, os sintomas se manifestam, principalmente, no sistema gastrointestinal.

Existem diversos tipos de intolerâncias alimentares. As mais comuns são:

  • intolerância ao glúten (a proteína do trigo), presente em alimentos como pães, massas, doces, cervejas, entre outros;
  • intolerância à lactose (o açúcar do leite), existente, principalmente, no leite de vaca e derivados (manteiga, queijo, creme de leite, entre outros).

Intolerância ao glúten

Às vezes, o intolerante pode consumir certas quantidades de alimentos com glúten sem desencadear reações. No entanto, quando a intolerância ao glúten se torna permanente, ela leva à doença celíaca. Essa nada mais é do que uma resposta autoimune, a qual causa inflamação intestinal e prejudica a absorção de nutrientes.

Os sintomas da intolerância ao glúten variam em função da quantidade ingerida e do grau de intolerância. Eles podem se manifestar como:

  • diarreias, náuseas ou vômitos;
  • alterações na pele, fraqueza nas unhas, queda dos cabelos;
  • alterações no ciclo menstrual e infertilidade;
  • inchaços nas pernas, entre outros sinais.

Intolerância à lactose

intolerância à lactose decorre de uma deficiência da enzima lactase, presente no intestino delgado. Os sintomas também variam conforme a quantidade de lactose consumida e grau de intolerância individual. São eles:

  • desconforto digestivo, com gases e dor abdominal;
  • diarreias, náuseas e/ou vômitos;
  • manchas e coceiras na pele;
  • edema de glote;
  • alterações no sistema respiratório.

Alergia alimentar

Na alergia alimentar, o alimento é visto pelo organismo como um agente agressor. Quando a pessoa o consome, o organismo passa a produzir anticorpos imediatamente.

Trata-se de uma doença decorrente de uma resposta imunológica anômala, desencadeada após ingestão com determinado(s) alimento(s). Cerca de 80% das reações alérgicas alimentares são desencadeadas pelo consumo de leite, trigo, soja, ovos, oleaginosas (como castanhas e amendoim), peixes e frutos-do-mar.

Cada tipo de alérgeno (proteína do alimento causadora da reação) gera uma resposta imunológica, que pode ser mais grave ou amena, dependendo da susceptibilidade individual. Os principais sintomas aparecem como:

  • manchas, coceiras e/ou erupções na pele;
  • coriza e broncoespasmos;
  • inchaço nos lábios, língua e ao redor dos olhos;
  • desarranjo intestinal, náuseas e/ou vômitos;
  • anafilaxia e choque anafilático.

Em crianças, as manifestações alérgicas mais comuns são decorrentes do consumo de leite, ovos, trigo e soja. Com o crescimento, o problema costuma desaparecer. Já alergias desencadeadas por oleaginosas, peixes e crustáceos tendem a ser permanentes, continuando por toda a vida adulta.

Na maioria das vezes, o alérgico precisa retirar o(s) alimento(s) da sua dieta. Dessa maneira, o alérgico a lactose, por exemplo, deve seguir uma alimentação isenta de qualquer rastro de proteína do leite.

Como são feitos os diagnósticos das intolerâncias e alergias alimentares?

Como mostrado, os sinais clínicos das intolerâncias e alergias alimentares são muito parecidos. Por isso, os especialistas solicitam exames laboratoriais para definir o diagnóstico.

Diagnóstico das intolerâncias alimentares

No caso da intolerância ao glúten, realiza-se um exame de sangue para dosar os anticorpos antitransglutaminase e antiendomísio. Se confirmado o diagnóstico de doença celíaca, o tratamento é baseado na completa eliminação dos alimentos com glúten.

Já para a triagem da intolerância à lactose, há mais opções, tais como:

  • exame de sangue, para verificar os níveis de glicose após o consumo de uma dose de lactose em jejum;
  • testes de hidrogênio na respiração, realizados após a ingestão de uma dose elevada de lactose, para avaliar se ocorrem mudanças no hálito;
  • exame de fezes, para verificar os níveis de acidez nas fezes.

Se confirmada a intolerância à lactose, o tratamento se baseia na redução (com ou sem uso de suplementos de lactase) ou na retirada de leite e derivados, proporcionalmente ao grau de intolerância.

Diagnóstico das alergias alimentares

Para detectar as alergias alimentares são necessários alguns testes de provocação oral. Nesse tipo de exame, o paciente ingere pequenas quantidades dos alérgenos (em ambiente apropriado, sob supervisão médica). A partir de então, avaliam-se as possíveis manifestações clínicas de hipersensibilidade.

Outros exames usados são as determinações de IgE séricas específicas. Por exemplo, o IgE específico para amendoim.

Vale destacar que existem mais de 170 alimentos considerados alergênicos. Porém, no Brasil a prevalência de alergias alimentares em adultos decorre do consumo de leite de vaca e camarão.

Quais são os riscos da falta de cuidado para com essas condições?

Além de ter que conviver com os incômodos sintomas já mencionados, a falta de cuidados traz outras consequências. A ingestão de glúten por celíacos, por exemplo, leva a diversos problemas (de anemia a linfomas intestinais). Tanto que existe uma lei (Lei Federal Nº 10.674) que obriga os produtores a informar a presença de glúten e lactose nos rótulos e embalagens.

Já uma alergia alimentar grave e, até então, desconhecida, pode levar a óbito. É o que acontece quando se come um determinado alérgeno pela primeira vez, exagerando na quantidade.

Por isso, o diagnóstico correto é imprescindível. A partir dele é possível prevenir problemas e administrar o quadro adequadamente, melhorando não apenas a saúde, mas o bem-estar e a qualidade de vida.

Vale destacar que não se deve usar suplementos ou antialérgicos para prevenir a ocorrência ou aliviar os sintomas das intolerâncias ou alergias alimentares sem prescrição médica. Um remédio para tratar uma infecção gastrointestinal decorrente de uma alergia alimentar leve, por exemplo, pode diminuir a quantidade de enzimas responsáveis por digerir o alimento. Isso, por sua vez, prejudica a capacidade imunológica, levando a outros problemas. Portanto, muito cuidado com a automedicação!

Pessoas com intolerâncias ou alergias alimentares podem comer fora?

Poder, podem. Mas em lanchonetes e restaurantes, o cuidado precisa ser redobrado. Afinal, mesmo que os ingredientes de certos pratos não tenham glúten, a contaminação pode se dar ao longo do processo de preparo. E bastam pequenos traços de glúten para torná-los impróprios para celíacos, por exemplo.

Uma pessoa com restrição alimentar precisa seguir uma dieta específica e, ao mesmo tempo, adotar uma estratégia de reposição nutricional. Só assim é possível evitar tanto os sintomas típicos como a piora de outros quadros de saúde.

Qual é o risco de eliminar alimentos por conta, sem o diagnóstico comprovado?

Algumas pessoas decidem banir da dieta alimentos feitos com farinha de trigo, assim como leite e derivados, sem que seja confirmado o quadro de intolerância. Porém, isso também coloca a saúde em risco.

Geralmente, essa medida é feita com o intuito de emagrecer — o que de fato ocorre, em decorrência da significativa restrição das possibilidades alimentares. No entanto, sem uma reeducação alimentar consistente, sabe-se que algum tempo depois o peso volta ao patamar de sempre. E para piorar, os prejuízos gerados pelas deficiências nutricionais, por sua vez, podem desencadear outros distúrbios.

Para concluir, caso suspeite de intolerância ou alergias alimentares, procure um gastroenterologista ou um alergologista. Além disso, realize os exames solicitados em um centro de referência em medicina diagnóstica, pois a precisão é essencial para orientar os cuidados que, como mostrado, são bastante diferentes em cada caso.

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